O problema da invasão de produtos chineses
Estou extremamente preocupado com a invasão massiva de produtos chineses, tanto no mercado mineiro quanto no mercado brasileiro, que tem trazido prejuízos claros para nossas indústrias, especialmente nos setores têxtil, de vestuário, calçados, fundição, produtos refratários e fogos de artifício.
Tal fato decorre da perda paulatina da capacidade competitiva do setor produtivo brasileiro face às importações chinesas, resultado da qualidade diferenciada, taxa de câmbio depreciada e dos custos subsidiados para diversas cadeias produtivas, provocando prejuízos nos setores com maior concentração de micro e médias empresas. A par disso, registra-se a prática de falsificação de produtos brasileiros que, copiados e produzidos na China, são vendidos como produzidos no Brasil, inclusive evidenciando crime de sonegação fiscal.
O baixo custo dos manufaturados com que a China está inundando nosso País encontra várias explicações: para começar, a estrutura fiscal-tributária chinesa é singela, e ali não existe nem mesmo o correspondente à nossa nota fiscal. Enquanto isso, no Brasil o empresário e o contribuinte convivem com alguns dos impostos mais elevados do planeta. O trabalho escravo lá é uma realidade inegável, e a vantagem da mão de obra barata se sobrepõe ao bem-estar do trabalhador.
Em matéria de câmbio, na China o mercado é controlado pelo Governo, que mantém a moeda nacional artificialmente desvalorizada. Já no Brasil – em que pese a opinião contrária de muitas vozes respeitáveis – o Governo insiste em manter o real supervalorizado, num populismo cambial que faz a delícia da classe média viajante, mas afeta negativamente as empresas exportadoras e por via de conseqüência seus empregados, fornecedores, acionistas e por fim o próprio governo, que vai arrecadar menos em beneficio do governo chinês que vai arrecadar mais.
Veja que no contexto global o Brasil responde por apenas 1% do comércio internacional. Somos um parceiro modesto, que luta a duras penas para impor-se ante o protecionismo e os pesados subsídios dos países desenvolvidos. Temos uma taxa de desemprego elevada, uma concentração de renda inaceitável, uma exclusão social contundente, e a última coisa que poderíamos fazer seria darmo-nos ao luxo de brindar qualquer nação e em especial a China com mimos comerciais. Pois foi o que fizemos, e o resultado já se faz sentir.
Poderia parecer que desconheço a importância do comércio Brasil-China, e que estaria pregando o fim dessas relações comerciais. Não é nada disso: não posso negar que o mercado chinês é extremamente promissor para nossas exportações, mas é preciso negociar com firmeza – e isso não é litigar – do lado das importações.
Devemos aproveitar todas as oportunidades abertas para os nossos produtos, mas sem jamais negligenciar a adequada proteção de nosso próprio mercado. De outro modo, estaremos desguarnecendo a produção nacional.
Precisamos de uma ação integrada e abrangente, envolvendo Governo e empresários, trabalhando com isenção e sem imediatismo. Segundo, a política de populismo cambial tem que ceder lugar ao realismo no câmbio, de maneira a beneficiar o exportador e por via de conseqüência o Brasil.
Os gargalos da exportação também precisam ser eliminados, com a recuperação das rodovias, com o implemento das ferrovias e hidrovias, com a modernização dos portos, com a eliminação do papelório. Ainda a exacerbação fiscal precisa dar lugar à tributação justa, em benefício de todos.
Por fim, as nossas classes produtoras, para corresponder ao esforço que se exige das autoridades, devem perseguir a eficiência e a qualidade, com a redução de custos e a diversificação e eficiência dos produtos.