Nelson Cunha, exemplo de jornalista e homem público
Há homens que ocupam postos de grande relevância na vida pública e deixam marcas indeléveis de ética, seriedade e respeito. Num momento em que nossas instituições políticas estão desacreditadas pela maior parte da população, é nosso dever ressaltar a grandeza e a honra de personalidades que se dedicaram a fazer da carreira um instrumento a serviço do bem comum.
Uma dessas figuras que nos enchem de orgulho foi Nelson Boechat Cunha, um mineiro admirável, saído de Carangola, que, em sua convivência, sempre fez questão de se cercar daqueles que deixaram para a história do nosso Estado e do Brasil um legado de realizações contestes, raro no nosso País. Ele faleceu no último 19 de junho, no cargo de presidente do Sindicato Rural de Itabirito, cidade escolhida para se dedicar a uma de suas grandes paixões dos últimos anos: a criação de cavalos da raça mangalarga marchador.
Nelson Boechat Cunha começou a se destacar profissionalmente ainda jovem, como jornalista político na ALMG. Depois trabalhou com os governadores Israel Pinheiro e Francelino Pereira. Mas foi no Tribunal de Contas de Minas Gerais que ele encontrou o ofício por que se apaixonou mais profundamente. Ele costumava dizer que aquele Tribunal era sua maior paixão institucional. Ali trabalhou por mais de 30 anos, como auditor e conselheiro.
Por onde esteve, Nelsinho, como era carinhosamente chamado, cultivou amigos e soube extrair da convivência com as figuras mais nobres da política de Minas Gerais, como Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Israel Pinheiro e José Maria de Alkmin, os ensinamentos que bem pautaram sua trajetória profissional.
Em 1990, deixou aflorar seu entusiasmo pelo cavalo mangalarga marchador. Tornou-se um bom criador da raça e desempenhou, na presidência da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador, um bem sucedido trabalho de valorização de um animal essencialmente brasileiro. Procurou ampliar o mercado para os criadores, estabeleceu nível internacional nas exposições e competições desses cavalos e conseguiu reconhecimento internacional de notórios criadores, que se surpreenderam com o elevado padrão zootécnico da raça já alcançado no Brasil.
Expresso, aqui, o meu sentimento de pesar, em especial, à esposa, Marilena, e aos filhos, Nelson Júnior e Flávia. Estou certo de que a biografia de Nelson Boechat Cunha permanecerá, para sempre, como uma referência para todos os que almejam fazer da política e da vida pública um instrumento em prol do bem de todos os cidadãos e cidadãs brasileiros.
Escrito por Zé Santana às 13h18
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