Crise energética na pauta
O jornal Estado de Minas noticiou recentemente que a falta de gás natural para abastecer indústrias e postos de combustível no Rio de Janeiro e em São Paulo pode ser o prenúncio de um problema muito amplo: o apagão energético no Brasil.
Já participei de várias discussões sobre o tema na Comissão de Minas e Energia na Câmara dos Deputados, e posso assegurar que a situação é mesmo preocupante. O risco do “apagão” no fornecimento energético, que há menos de uma década acarretou tremendos prejuízos para o Brasil, de novo nos ameaça. A minha preocupação sobre o assunto também já foi tema de pronunciamento lido no Plenário recentemente.
Acredito que esse problema decorre dos muitos entraves enfrentados para implementar o setor. Enfrentamos dificuldades para obter as licenças ambientais necessárias à construção de usinas, falta estímulo para identificar fontes alternativas de combustível, faltam investimentos públicos e o atraso no cronograma das obras em andamento é uma realidade.
Por conta dos erros passados, a Petrobrás está hoje com dificuldade para garantir o fornecimento futuro do gás combustível, e a procura de fornecedores alternativos, até o momento, revelou-se pouco consistente.
Agora, o mais importante é garantir os investimentos programados em geração. Mas para tanto, é necessária uma série de medidas, todas de caráter emergencial.
O Ibama não pode se ater a filigranas ecológicas em sua concessão de licenças e a Petrobrás precisa identificar fornecedores alternativos, inclusive em território nacional.
Dadas as características e recursos naturais únicos de que dispõe, o Brasil deveria fazer sua opção pela hidroeletricidade, por meio de atitudes que incluam a reserva imediata das áreas de aproveitamento hídrico e a agilização do processo de licença ambiental.
Fontes alternativas de energia devem ser buscadas, tais como aquela obtida do bagaço da cana de açúcar e a derivada do potencial eólico.
As novas usinas hidrelétricas também precisam ter prioridades, bem como a carga tributária incidente sobre as tarifas de energia precisam ser revistas.
Campanhas educativas ainda podem ajudar na racionalização do consumo domiciliar.
Convenhamos, não é tão difícil escapar dessa situação e em especial evitar uma nova crise energética se houver um mínimo de empenho consciente por parte dos responsáveis.
Escrito por Zé Santana às 13h05
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