Privatizar a Infraero, e por que não?
O argumento do governo para não privatizar a Infraero é que ele correria o risco de ter de ficar com os terminais que dão prejuízo. Tal informação não condiz com a verdade, se analisada mais profundamente.
É uma boa idéia criar pacotes com aeroportos de grande movimento e outros menos procurados. Por exemplo: para levar um aeroporto de grande porte, a empresa privada teria que incluir no pacote alguns terminais deficitários.
Veja que a situação caótica dos aeroportos brasileiros hoje decorre de um déficit muito grande que existe em nosso sistema aeroviário. O atual governo já fez algumas reformas, mas muito pouco em vista do número significativo de usuários do transporte aéreo– que cresce a cada dia, principalmente depois do barateamento das passagens aéreas, conseqüência da liberação de preços e da queda do dólar.
O que se vê hoje são controladores de vôo mal-pagos e sobrecarregados, infra-estrutura insuficiente e equipamentos antiquados. E os problemas vão aumentando à medida que o transporte aéreo cresce em torno de 15% ao ano, cinco vezes mais que a economia do país.
A solução para o problema da aviação brasileira certamente terá que vir acompanhada de grandes investimentos no setor. Só que, infelizmente, o Governo Federal não tem dinheiro para investir pesadamente.
No Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) já estão previstos recursos de mais de R$ 3 bilhões para investimentos nos aeroportos brasileiros. Mas, segundo especialistas, só os três principais aeroportos de São Paulo precisariam de R$ 7 bilhões para um bom funcionamento.
Ou seja, o dinheiro público é curto. Agora, pensando que o setor privado tem dinheiro e capacidade de sobra, por que não então privatizar os aeroportos brasileiros?
Não estamos falando em escolher entre um bom sistema privado ou público, mas sim entre um privado ou nenhum, visto que o público infelizmente não tem recursos necessários para investir pesadamente na infra-estrutura do País.
Podem ser que alguns pensem que o setor aeroviário é estratégico para o Governo, e por isso não deve ser privatizado. Mas é bom lembrar do setor de telecomunicações que, quando foi privatizado, muito pensavam a mesma coisa. Porém, o que se viu foi uma significativa expansão do setor.
É preciso que o Governo seja realista e comece o quanto antes a encontrar meios para evitar o caos geral nos aeroportos do Brasil, bem mais agudos em comparação ao que se vê atualmente.
Escrito por Zé Santana às 13h53
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A crise dos alimentos
Nos últimos dias, os principais economistas internacionais falaram com preocupação sobre a crise mundial dos alimentos. No Brasil, o tema também é pauta de várias discussões. Vale lembrar que em nosso país o problema ainda está bem suavizado.
O significativo crescimento econômico nos últimos tempos em quase todo o mundo resultou – felizmente – no aumento da renda familiar. Logo, aumentou o número de habitantes que podem comer melhor. O grande problema é que, com mais pessoas consumindo, a comida fica escassa e os preços começam a subir, voltando a ser inacessível para muitos que haviam entrado nesse mercado de consumo. E, como sempre, os mais pobres acabam sendo os mais prejudicados.
Estão apontando o biocombustível como um dos vilões da crise. É verdade que o etanol de milho provocou um efeito dominó: subsidiado, o milho para produção de álcool subiu de preço e contagiou os preços do alimento tradicionalmente produzido, que tinha custos menores. Com isso, contagiou os preços de outros produtos concorrentes do milho, como o trigo. Subiu assim o preço do nosso pãozinho de cada dia.
Mas no caso específico do Brasil é preciso saber identificar o aumento em conseqüência da crise globalizada e o aumento em conseqüência da nossa própria economia nacional. Por exemplo: a inflação do pão vem de fora, mas a do feijão subiu por conta da nossa safra.
No caso do arroz o Brasil é auto-suficiente e já estava exportando, mas o Governo suspendeu a exportação de seus estoques para conter a alta dos preços.
Veja que o Brasil é um país de muitas terras, e certamente tem condições de alimentar o mundo. Nosso país sempre produziu muito alimento, mas tem condições de produzir ainda mais. É hora de aproveitarmos essa oportunidade criando incentivos e dando melhores condições para os produtores produzirem ainda mais. Assim estaríamos livres da crise e ainda poderíamos exportar, o que certamente fortaleceria a economia nacional.
Escrito por Zé Santana às 17h00
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