A questão do desemprego no Brasil em meio à crise econômica mundial
Ocorre hoje no país um fenômeno até certo ponto inexplicável porque, em meio a tanto alarmismo, os níveis de desemprego não aumentam. Em setembro de 2008, por exemplo, no princípio da crise econômica mundial, o desemprego nas áreas metropolitanas foi o mesmo do mês anterior, da ordem de 7,6%, índice este inferior àquele dos meses anteriores. Uma explicação plausível para isso seria a conscientização das empresas sobre a importância da mão-de-obra qualificada como fator essencial no processo produtivo. Em outras palavras, a perda da mão-de-obra qualificada anularia a conveniência da economia obtida com a demissão. Ocorre que, a persistir a crise, começa para o trabalhador o processo de encolhimento. Numa primeira fase, a empresa decreta férias coletivas, em seguida parte para os Planos de Demissão Voluntários e para a antecipação de aposentadorias, e finalmente apela para a dispensa do trabalhador. No Brasil – à exceção de uma grande montadora, que já formalizou 700 demissões - ainda estamos na primeira fase, mas até quando? Nossa grande esperança é que disso não passe, ao contrário do que está sucedendo nos países do chamado “Primeiro Mundo.” Os Estados Unidos e a Europa já estão na terceira fase. Diariamente, temos notícias sobre demissões em massa, sobretudo nos segmentos industrial, com as montadoras, e financeiro, onde grandes instituições estão fechando as portas. Dessa realidade, surge para nós o grande desafio: o que devemos fazer no Brasil para evitar o impacto no emprego? É justo reconhecer que as medidas adotadas pelo Banco Central são realistas e cautelosas, embora muitos as considerem excessivamente conservadoras. Mas se tais medidas represarem a chamada “fase um” nos próximos dois meses, nesse meio tempo o crédito poderia voltar a circular e com ele voltariam a produção, o emprego e o consumo interno. Mesmo com a redução nas exportações, o mercado interno conteria o nível de desemprego por volta de 9%, o que já seria positivo para um país que já registrou índices de até 13%. Temos alguns fatores a nosso favor. Aqui está um mercado interno de quase 200 milhões de habitantes, que deve ser abastecido. Somos auto-suficientes em matéria energética, combustíveis, recursos hídricos e alimentares, numa época em que o mundo tem sede de água e fome de alimentos. Temos reservas consideráveis em moeda forte, que nos garantem a viabilidade das necessárias importações por um bom período. A inflação não dá mostras de estar descontrolada. E enquanto a previsão é de crescimento negativo do PIB mundial, devemos em 2009 crescer pelo menos 2%. É evidente que tempos mais difíceis virão, em futuro próximo. No entanto, se tivermos a competência e a seriedade para administrar a crise, podemos sair dela fortalecidos. Entretanto, para que isso seja possível, as autoridades monetárias devem partir para um ajuste na abordagem da política econômica, no que se refere aos juros de curto prazo. Não se justifica manter os juros mais altos do mundo, quando não existe pressão inflacionária e se impõe a necessidade de desenvolvimento. É necessário também que o Governo modere nos gastos públicos. Assim, com crédito disponível no mercado a níveis que viabilizem o crescimento, e com a manutenção do equilíbrio fiscal, nada impede que passemos por cima da crise.
Escrito por Zé Santana às 11h12
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